Lealdade de nossos valores

Diante do sucesso do último post, resolvi dar seguimento para uma discussão que vim pensando nesses últimos dois dias. Quantas coisas que vemos ou ouvimos seja no nosso trabalho ou entre amigos que colocam à prova a lealdade diante dos nossos valores e nossa essência. Quais são os nossos valores de hoje? São os mesmos que tínhamos há 1 ano atrás? Há 5 anos atrás? Por isso que de vez em quando devemos fazer um pente fino no que acreditamos e em que estamos lutando.

Falar de lealdade é lembrar de histórias de infância, nas quais os heróis lutavam até o fim em nome do bem. Mas o que seria o bem no dia de hoje? Para Platão a lealdade era inata ao ser humano, Aristóteles acreditava na lealdade como hábito. A lealdade como sentimento mostra-se de maneira bastante nobre, a questão é se o que ou quem merece de fato nossa lealdade e até que ponto nosso comprometimento tem solidez! Sem essa análise fica bastante difícil renovar nossas convicções e repensar a trajetória em direção a uma vida íntegra.

Pode acontecer do problema que enfrentamos não estar na falta de lealdade propriamente dita, mas sim na adesão à valores desprovidos de conteúdo, aparências disfarçadas de valores, como a ideia de fama, dinheiro, corpo perfeito…que se resumem em uma palavra basicamente, autossatisfação. Nada disso mata nossa fome por muito tempo, ao contrário de sentimentos como amizade, sustentabilidade, causas sociais, família. Percebem que valores assim ganham mais corpo, são muito mais sólidos?!

Mas Alyne, vocês falarão, como manter a lealdade a certos valores, se eu mesmo contínuo em transformação? Se cada dia que passa tenho novas ideias, novos projetos, conheço novas pessoas? As vezes precisamos mesmo desconstruir nossos velhos conceitos para que possamos erguer novos, e aí está a graça de sermos seres humanos providos de nossas autonomias intelectuais. Se o propósito é manter-se leal para agradar aos outros (família, amigos, meio profissional), não é ser leal aos seus verdadeiros valores. A desobediência a alguem, a um voto ou mesmo uma atitude ou uma resposta mais profissional se faz necessário quando sentimos nossos valores feridos ou invadidos. Se eu for falar de exemplos de situações, estas não faltam! Martin Luther King mesmo promoveu atos de insubordinação civil diante de leis que prejudicavam a sociedade. Não devemos nutrir uma lealdade vazia, sem propósitos devido a uma submissão social, e por isso vale a pena nos questionarmos de tempos em tempos  “Isso ainda faz sentido para mim?” ou “Essa escolha me aprisiona ou me traz mais confiança e liberdade?”.

A resposta está sempre em olhar para si, confiar naquela voz da consciência. Quanto mais leal às nossas convicções, mais livres seremos, pois poderemos ser nós mesmos integralmente! Abra os olhos para seus valores, eu estou abrindo os meus e você?

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