Plano de voo – Chapada Diamantina: parte 3 (final)

Esse é o post final da Chapada Diamantina (parte 1 e parte 2). Saindo do Vale do Capão, nossa próxima parada foi em Igatu, uma das menores cidades que já fui: 380 habitantes. A cidade era um charme! Conhecida como Xique-xique de Igatu, a cidadezinha é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional e pode ser facilmente confundida com cenário de locação cinematográfica. Pernoitamos por lá pois no dia seguinte iríamos rumo à Cachoeira do Buracão. No caminho tivemos a oportunidade de passar pelo Cemitério Bizantino, próximo à cidade de Mucugê. Me impressionei com um cemitério todo branquinho no sopé da montanha.

A estrada seguia e pela frente visitaríamos a Cachoeira do Buracão, minha cachoeira preferida! A trilha foi mais tranquila que as trilhas anteriores, ao longo do caminho a paisagem ia mudando e alguns calanguinhos pretos surgiam. Para quem não sabe, calango é um lagarto preto, um pouco maior que uma lagartixa. Nada a temer pois os calanguinhos que tinham medo de nós. Ao longo da trilha íamos ouvindo o barulho das águas. Algumas quedas d’água surgiam, mas a cachoeira propriamente dita, surgiria mais adiante. Ao chegarmos no rio, colocamos os coletes e nadamos contra a correnteza, passando por uma fenda até chegar a mais bonita cachoeira da Chapada Diamantina: Cachoeira do Buracão! Conseguimos sair da água e sentar nas pedras ao redor. Fiquei impressionada com a beleza dessa imagem que vou levar para vida! A força das águas, as andorinhas voando ao redor da cachoeira e um arco-íris se formando: um verdadeiro quadro pintado pela natureza. Fiquei uns bons minutos admirando tudo isso. A Cachoeira tem aproximadamente 100m de queda em forma circular e um cânion sinuoso, foi de tirar o folêgo mesmo!

            

A volta foi mais tranquila, pois foi soltar o corpo que a correnteza fazia o resto do trabalho. O dia seguinte seria o último dia dos 7 dias de viagem. As escolhas: Poço Azul e Poço Encantado! O poço encantado seria mais um passeio que entraríamos numa gruta.  Ao descer um pouco, logo víamos o poço encantando, que ao entrar os raios de luz, suas águas tornavam-se de um azul cobalto indescritível. Não era permitido mergulhar, mas sim observar esse filme do raio de luz entrando na caverna! A viagem seguia e a próxima parada foi o Poço Azul. Para chegar lá seria necessário atravessar o rio de 2m de profindidade com nosso 4×4, a solução foi a balsa!  Assim que atravessamos o rio chegamos no Poço Azul. Nele teríamos 20min de mergulho, rigorosamente controlados pelos guias do local. A água não era gelada e assim que entrei já comecei a explorar. Não era tão profundo, mas também, quando o raio de liz entrava, suas águas ficavam toda de um azul escuro muito lindo! O fim do dia foi em Lençóis. Uma semana que me trouxe um grande conhecimento da natureza, o quanto somos seres tão pequenos diante da gradiosidade da natureza.

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Muitos me perguntaram sobre como fiz a Chapada Diamantina. No começo tive muitas dúvidas entre a Chapada dos Veadeiros e a Chapada Diamantina, resolvi começar pela Diamantina pela grande quantidade de coisas a se visitar. Algumas informações práticas:

Viajei com a Venturas. Super recomendo essa agência! Desde o começo, em fevereiro, quando estava planejando, tanto a Paula Bilenky, quanto a Mari Montoni foram super importantes na decisão da viagem e me ajudaram muito a planejá-la em todos os detalhes. A Venturas foi premiada há alguns anos como uma das melhores operadoras de ecoturismo aqui no Brasil. Eles têm destinos bem legais, vale a pena dar olhada no site deles!

Os lugares que me hospedei foram:

Lençois: Estalagem do Alcino

Vale do Capão: Pousada do Capão

Igatu: Pousada Pedras de Igatu

O que comer na região?

A culinária local carrega consigo herança dos índios, portugueses, negros e garimpeiros que viviam na região. Não deixem de provar Godó de Banana (banana verde com carne ou frango), Cortado de Palma (uma espécie de cacto comestível da região) e Pastel de Jaca (até parece pastel de palmito!). Uma dica em Lençóis é o restaurante: Lampião!

Para chegar em Lençóis, o jeito é ou ônibus rodoviário ou avião da Azul saindo de Salvador. Optei pelo avião, mas a restrição na escolha por ir de avião é que existem apenas voos Salvador-Lençóis-Salvador apenas de quinta e domingo.

A melhor época para visitar a Chapada é de Março a Outubro, pois é o período de menor incidência de chuva. Setembro a Novembro é a época das orquídeas na região. Abril a Setembro é o período de maior incidência dos raios solares nos Poços Azul e Encantado.

Para quem acompanhou as fotos desde a parte 1 da viagem pode perceber a diversidade geológica da região. Explicando um pouquinho mais isso se deve ao fato de que há 1.8bi de anos a Chapada Diamantina era banhada pelas águas do mar, até que um choque de placas tectônicas criou suas fendas e depressões. Com isso iniciou a formação das serras sedimentares, levando a formação da Bacia do Espinhaço.

Durante o período que visitei fiquei encantada com a quantidade de água na região! A Chapada é berço de 50% dos rios que banham o estado da Bahia, sendo o principal: Rio Paraguaçu.

Foi uma das viagens mais especiais que eu já fiz e super recomendo para todos que estão dispostos a conhecer uma das nossas maiores jóias: a Chapada Diamantina!

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