Sexto ano…

Lembro-me bem de querer que o tempo passasse rápido quando era mais nova, torcia muito para as férias chegarem e com ela os dias ensolarados de janeiro na praia ou as viagens malucas da minha família em julho. E essa pressa de viver acentuou-se ainda mais quando entrei na faculdade, depois de dois anos de cursinho estava na então tão almejada Casa de Arnaldo, com vontade de viver intensamente tudo que a faculdade me proporcionava: a atlética, a espumada, os treinos, as festas, os jogos, estudar em salas num dos prédios mais lindos de São Paulo, a possibilidade de fazer parte da Cidade Universitária, a cervejada do sexto ano, pertencer ao importante Hospital das Clínicas e ter contato com os melhores pacientes e melhores mestres que se poderia ter! Nessa mesma época meus pais me presentearam com um carro e foi com ele que descobri a liberdade de poder ir e vir para onde eu quisesse.

Mas essa pressa por querer viver tudo em tão pouco tempo resolveu colocar o pé no freio. Hoje eu vejo que esses anos de faculdade passaram num piscar de olhos, cá estou eu e mais um monte de amigos dessa minha 98a turma no sexto ano, e contradizendo aquela caloura que entrou deslumbrada com toda esse universo da medicina, me pego desejando que os momentos desse ano passem 1510939_10151880037857546_480738499_ndevagar. Parei de olhar para o futuro com aquele olhar guloso, e resolvi que é hora de se deliciar mais com as memórias desses momentos que serão inesquecíveis!

Talvez alguns planos cuidadosamente calculados vão se desenrolar de uma forma diferente do que eu imagino. Talvez as condições de temperatura e pressão ideais da minha mente em nada representam o caos da realidade, e que essa história de desconsiderar o atrito só acontece em problemas fictícios de física. Continuo tentando agradar gregos e troianos, mas vejo no horizonte que terei que tomar partido nessa guerra mais cedo ou mais tarde.

Todas essas revelações não são consequência do simples e inevitável processo biológico de envelhecer, e sim da experiência individual e opcional de como viver. É tão óbvio, e por isso tão difícil de enxergar: o único desejo do ser humano é ser feliz. Todos os outros desejos derivam-se desse, e a partir do que acreditamos que nos fará felizes, fazemos a programação do GPS. Cada tropeço e cada salto, cada vitória e cada derrota, cada sorriso e cada lágrima – cada lição – contam, e a partir deles se recalcula a rota pessoal e intransferível para a felicidade. Para mim a felicidade esse ano se dividiu em dias. Que esse ano seja o ano onde esse sonho de tornar-se médica vire realidade a cada dia, a cada paciente, a cada batalha a beira do leito.

Como diz um amigo meu, esse ano é pra enfiar o pé na jaca e aproveitar cada momento…

Que venha esse sexto ano e que ele seja incrível!!

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